Várias faces de uma mesma estatística

6 11 2008

Mortes no IraqueO Miguelito levantou a bola, e eu vou chutar. Depois da vitória do Obama, lá na terra do Tio Sam, dei uma passada em diversos sites que, durante o mandato do tio Bush, cumpriam o papel de “peda no sapato”, principalmente no que tangia à Guerra no Iraque.

De fato, as únicas informações que tinha, eram aquelas que chegavam através da grande mídia aqui no Brasil, que noticiava uma bomba aqui, outra ali, um elicóptero que caia, um suicida que, bem, se matava… enfim, nunca tinha uma estatística definitiva, apenas migalhas de informação.

No site do Michael Moore, encontrei uma série outros sites que dispõem de tais estatísticas. Uma delas, no site do próprio Mike, mostra um tipo de gráfico impactante sobre o número de vítimas (4191 até o fechamento desta edição).

Faces da morte

Uma outra, organizada pelo periódico “The Washington Post“, é um pouco mais contundente, e mostra a foto de diversos soldados mortos, e pode ser exibida por idade, dia e estado de nascimento de cada vítima. O “Faces of the Fallen” (Rostos dos que caíram) também traz a circunstância das mortes.

Outras não falam da tragédia da guerra em si, mas estipulam o gasto do governo dos EUA com a guerra, como é o caso deste site.

Depois de uma simples pesquisa no Google, fiquei sabendo de todos estes dados, e é indignante. Estas guerras já duram anos, e a cada dia morre mais gente e se gasta mais dinheiro com elas. Será que o petróleo que jorra do chão compensa isso tudo? Como pode ainda existir pessoas que apóiam esse tipo de atitude?

Quando Bush invadiu o Iraque, o apoio popular à esta atitude era tremendo. E algumas pessoas ainda apóiam. Onde estavam as armas de destruição em massa? Onde está o Osama?

Esse é um erro que o novo presidente americano (que, além de ser quase O”S”AMA, como citou o Miguelito, é Hussein) não pode cometer. E acho realmente que não irá. Poucos conseguem ser tão estúpidos quanto George Walker Bush.

Bush Faces

No mais, ficamos na torcida. E tomamos uma ceva, entre uma bomba e outra.





I have a dream, but i don’t have money!

6 11 2008

 

Oba-oba Obama

Oba-Oba Yes We Can Obama

Quando cheguei ao trabalho ontem, minha colega de cela, a clipadora, fez o seguinte comentário:

- Hãin! Ele não tem cara de presidente.

Este é o grande e emocionante fato da eleição de Baraque, o de que ainda há esperança na humanidade acreditar em discursos com valores positivos, de abertura de fronteiras reais e psicológicas. Inacreditável que um negro, cujo nome difere em apenas uma letra do inimigo público número um de Bush, Osama, tenha convencido o mundo em torno de sua figura.

But, porém, todavia, há algo de estrambótico no reino de Ronald. 

No discurso de posse, Obama entoou o mantra-slogan e milhares cordas vocais ecoavam “Yes, we can”. Formava-se uma gigantesca convenção de auto-ajuda. Os olhos daqueles caras brilhavam, assustadoramente. Era hipnose coletiva, só pode.

“Yes, we can”, “Yes, we can”, “Yes, we can”.

Bem que caberia um “A esperança venceu o medo”.

Apesar da comparação ser proibitiva pela abissal diferença de realidades, há o que une Baraque e Lula. Ambos – um trazia e outro traz - no rescaldo das urnas a herança da campanha, um troço chamado crença. Aqueles olhos brilhantes, o choro dos negros, o êxtase da vitória, realmente era de verdade.

O Baraque é foda. Mas terá que lidar com quem manda, o tio Mercado. E quando esse fica nervoso, nem Hancoqui de ressaca salva.

Aos que convém a guerra, o fundamentalismo religioso, o embrago à Cuba, o lobby petrolífero, ele terá que dizer “No, we can’t”. E terá que dizer “No, we can’t” para o Brasil quando este quiser pressionar para que se consuma combustível de mamona, ou quando for chorar o fim do protecionismo.

E todos os dias do seu mandato terá de dizer “No, we can’t”. E depois do “Sorry!”, sairá pela porta da Casa Branca mais um decepcionado, que levará consigo um pedaço da imagem construída às custas de corridinhas triunfais antes de cada discurso inflamado.

O que sobrar disso será a realidade.

Aqui, nosso anão de jardim até que tem se saído bem. Pelo menos no que interessa para um anão de jardim. Ser popular no quintal.

sobrevida após slogan

Anão de jardim: sobrevida após slogan

Eichland, Miguel, 2008